sexta-feira, 30 de maio de 2008

Que trata do que se perde numa guerra ganha


Dois tiros...


A cidade está calma, silenciosa;
no ar, o silêncio mata
e por entre ares tóxicos e venenos
soa a sinfonia de dois tiros...


Um pássaro morto jaz no chão
Jaz sem asas e sem bico:
levaram-no os insectos
que sobrevivem na terra estéril de cinza...


Recordações, tantas vidas, tantos sonhos,
agora os incêndios iluminam a cidade
partes de corpos (do que parece) enfeitam as janelas
o rio que corre na rua é vermelho...


Dois tiros...
Uma criança...


A criança olha, em pé, consigo a boneca
e o seu coração está vazio, ferido
e o chão queimado é humedecido
por inocência vermelha que, com Sol, não seca...


Menina, criança, não chores!
A boneca, rota, deu-lha sua mãe
Mas a mãe já não está, não lhe pega ao colo
Qual deles, qual dos vultos do chão seria a sua mãe?


És um cadáver, cidade, estás morta
e contigo morrem os sonhos, esperanças,
queimem-se os vossos telhados de dor e angústia
derrubem-se as paredes sádicas e hipócritas!


Dois tiros...
Uma criança...
Cai a boneca...

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